Insuflação Nasal de Alta Velocidade (Tecnologia Hi-VNI™) para Evitar VNI e Reverter a Retenção Aguda de CO2 em uma Exacerbação de DPOC

Marcia Jeffers, RRT • Kale Spivey, RRT-NPS • Terrell Ashe, RRT-NPS • Sheldon Spivey, RRT • Rose Dennis, RRT
Centro Médico Regional de Atenas (Atenas, Geórgia)

A tecnologia Hi-VNITM é uma ferramenta para tratar os sinais e sintomas de desconforto respiratório. Os materiais anexos descrevem certos resultados em relação ao uso da tecnologia Hi-VNI, mas os resultados individuais podem variar. Os profissionais devem consultar as indicações completas para uso e instruções de operação de quaisquer produtos aqui mencionados antes de prescrevê-los.

Histórico da paciente e apresentação
Uma mulher de 60 anos, com história de DPOC em estágio terminal, entubada no mês anterior devido a uma exacerbação similar, chegou de ambulância à nossa Unidade de Emergência. A queixa era dificuldade respiratória grave de evolução gradual. Na avaliação inicial, notou-se taquipneia com batimento de asas do nariz e respiração frenolabial, além de sibilos bilaterais e tosse produtiva.

Essa paciente já é bem conhecida pela equipe, e já havia sido admitida várias vezes. Dezoito dias antes, essa paciente se apresentou com uma exacerbação similar. Na ocasião, ela foi entubada e admitida na UTI, onde ficou internada por três dias. Com base na sua história, esperava-se que essa paciente fosse ser entubada e admitida na UTI.

Tratamento e Resposta
A ventilação não invasiva foi requisitada, mas não foi iniciada; a tecnologia Hi-VNI foi iniciada (Precision Flow®, Vapotherm®, Exeter, NH: cateter adulto com diâmetro externo de 4.8 mm) a 25 L/min com uma mistura de 60% de oxigênio. A paciente começou a apresentar melhora imediatamente, de forma notável. Gasometrias arteriais (GAs) foram feitas logo após o início da terapia de alto fluxo, e novamente 44 minutos depois; os dados são apresentados a seguir. Após o início da tecnologia Hi-VNI, a frequência respiratória caiu abruptamente e a paciente demonstrou redução da dispneia. No período entre as GAs, e a despeito da queda na frequência respiratória, houve redução da PaCO2 e elevação acentuada do pH. A tensão arterial de oxigênio caiu junto com a diminuição da frequência respiratória, mas a saturação de oxigênio na hemoglobina se manteve. A paciente foi internada no ambulatório médico e recebeu alta no dia seguinte.

Hora FC FR pH PaCO2 PaO2 HCO3 O2Hb SaO2
6:08 124 36 97
6:29 Gasometria Arterial e tecnologia Hi-VNI Iniciada a 25 L/min 60% FiO2
6:30 7.28 74 78 34 91 93
6:43 123 27 94
6:53 120 20 95
7:03 113 24 96
7:13 22 96
7:17 7.41 53 68 33 91 94



Interpretação
Além da evidência mecanística de que a tecnologia Hi-VNI propicia suporte ventilatório por meio da eliminação de espaço morto, a tecnologia Hi-VNI levou a uma ventilação minuto reduzida por meio de uma redução da frequência respiratória. A saída de CO2 do espaço morto anatômico melhorou o CO2 arterial e o pH correspondente, apesar da queda da frequência. A melhora do pH estabilizou a saturação de hemoglobina frente a uma tensão reduzida de oxigênio arterial (efeito de Bohr) que estava associada a uma queda da ventilação minuto. O CO2 arterial foi reduzido para 53 mmHg, o que é normal para uma paciente com DPOC compensada (HCO3- = 33 Meq/L), e portanto uma grande parte do trabalho de ventilação foi observada na forma de frequência respiratória reduzida. É provável que a fadiga muscular respiratória tenha sido evitada por essa redução do trabalho respiratório.

Conclusões
A aplicação da tecnologia Hi-VNI levou a uma rápida melhora que, acredita-se, preveniu o uso da ventilação mecânica e a admissão na UTI. É importante observar que essa paciente retornou doze dias depois com a mesma apresentação, e foi novamente tratada com sucesso com a tecnologia Hi-VNI.

2019-02-26T15:28:27-05:00